Desmistificação, a palavra certa

No dicionário, desmistificação significa romper com o mito, terminar com o enigma acerca de algo. E não há como definir melhor a oficina ministrada por Joe Nunes na última noite da XX Semana Acadêmica de Comunicação Social (Seacom), na sala 1504, bloco 15 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). “Desmistificação e Elaboração de Projetos Culturais e Leis de Incentivo” teve como objetivo explicar o funcionamento do acesso às verbas públicas e exemplificar as reais condições de obtê-lo.

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O produtor artístico iniciou a oficina com uma dinâmica que levaria os 21 presentes a compreender o “4Q1POC”, técnica aprendida por Nunes em seu curso de Administração e essencial para o planejamento de qualquer projeto. Quem, quando, quanto, o que, por que, onde e como são as perguntar básicas que dão o ponto de partida da produção, concluiu Joe na brincadeira.

Sobre a apresentação do projeto, o diretor explicou passo a passo o desenvolvimento de uma proposta cultural. Dando ênfase na objetividade, Nunes declarou que não há espaço para rodeios e que a justificativa, assim como o alcance das metas, deve estar claro e convincente. “O artista tem um viés muito livre, não se prende à burocracia”, alertou Joe, com o domínio de quem já esteve em ambos os lados do processo.

Um fator importante para a realização da iniciativa são os parceiros e investidores, no qual a comunicação se faz importante. Entre meios envolvidos na divulgação ao público e apresentação visual do projeto às empresas e empresários, é papel do comunicador torná-lo atrativo e conseguir confiabilidade tanto dos patrocinadores quanto dos órgãos públicos, que aprovarão ou não o trabalho encaminhado.

Durante toda a oficina, o ilustrador demonstrou o quão precário é o investimento em cultura em nosso país, dando destaque às condições de eventos sociais em Santa Cruz do Sul. “Se hoje há investimento em cultura no Brasil, não é por causa do governo. Foram os artistas que exigiram isso”, comentou, ao pontuar que falta iniciativa por parte dos produtores de projetos em ir atrás dos recursos e não apenas esperar respostas de processos burocráticos.

O oficineiro – Artista plástico, ilustrador, diretor, ator e escritor de teatro, Joe Nunes é conhecido na região por trabalhar com arte e produção artística há mais de 15 anos. Criou a Mostra Regional de Teatro e Circo de Santa Cruz do Sul, assim como criou e produziu o documentário “Tradução da Miséria”, disponível em versão curta e completa. Normalmente, nas oficinas de Nunes, os participantes têm a oportunidade de simular a elaboração de um projeto, porém, para a Seacom ele escolheu explicar de forma prática a dinâmica do processo. Sua produtora, a AGA, mantém parcerias com prefeituras, movimentos sociais e também com o SESC. Atualmente Joe Nunes é coordenador artístico do Mais Cultura na cidade de São Jerônimo.

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Texto: Vitória C. Rocho

Foto: Karolaine Pereira e Vitória C. Rocho

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