Por que os homens olham tanto para o bumbum das mulheres?

Emilin Grings
Ensaio

Uma mulher passa. Os homens olham. Não importa se é bonita ou feia. Ser gorda, magra, baixa, alta, também não faz diferença. Eles não olham o rosto, às vezes não veem nem todo o corpo. Apenas uma parte dele: a porção musculosa da parte dorsal traseira do tronco feminino, ou seja, os glúteos. Na gíria: bumbum ou bunda. Para “admirar” bem essa parte do corpo delas, eles até viram a cabeça. Os mais ousados fazem comentários, que nem sempre são a respeito do traseiro. Os elogios são para a dona da bunda. Assovios também fazem parte do repertório deles. Tudo vale para chamar a atenção daquela que os deixou babando.

Todo homem já olhou com maldade para uma bunda feminina. Mulher que nunca viu seu namorado, marido ou companheiro, dando aquela olhada para o bumbum de outra, que atire a primeira pedra. Se uma fêmea está passando, não tem erro. É olhar para os olhos dos machos ao redor que você saberá exatamente onde eles se encontram: pousados, agarrados, quase despindo a pobre. Têm alguns que são mais discretos, admiram quando o bubum está a sua frente. Mas todos olham.

Este hábito dos homens de não serem discretos ao admirar “a preferência nacional” tem explicação científica. É que eles têm visão periférica pouco apurada. Por isto, para ver bem uma bunda têm que se virar. Mas, por que este fascínio tão grande pela parte dorsal traseira do tronco humano feminino? Quando eles olham, parece que nunca a viram antes. Eles param de piscar e a boca se enche de saliva.

O cerébro dos homens, de acordo com a sua estrutura, sente atração pelo que vê. Quando eles olham para uma mulher na rua não quer dizer que ele queira levá-la imediatamente para cama. Essa atração é do instinto dos homens. Afinal, ele nem conhece a que passou e não pensa em começar um relacionamento com ela. O que interessa não é a personalidade da mulher e sim seus atributos físicos. O mesmo ocorre quando os homens olham revistas masculinas. Eles querem só admirar. O que está exposto aqui não é uma desculpa para o olhar grosseiro de alguns homens, é apenas uma explicação de que nessa hora é a biologia que está em atividade. Essa seria a resposta científica para o fascínio dos homens pelas bundas.

Homens sempre olham para lá
Ilustração: Pepe Fontanari

Quando acompanhadas por eles, as mulheres não gostam de ver os seus reparando nas outras. Se um casal está passeando na rua e em direção vem uma garota que a mulher julga ser bonita, ela rapidamente localiza a “ameaça” com a sua bela visão periférica a curta distância. Após, se compara com a rival e, em geral, se sente em desvantagem. Se o homem por acaso notar a outra, para as mais ciumentas é briga na certa. Por mais que o olhar dele seja discreto, o bate-boca começa.

Porém isso nem sempre incomoda as mulheres. O fato se inverte quando elas são o alvo do olhar. As mulheres gostam de ser elogiadas e admiradas pelos homens. Faz bem à autoestima. Elas já estão acostumadas com este hábito que nem se aborrecem com isto. As mulheres estão tão habituadas com o olhar malicioso deles que estranham não serem notadas. As mais depressivas se sentem feias. Tem até uma frase que diz: “Mulher que nunca ouviu elogio ao passar em uma construção não é mulher que se preze”.

Por falar em mulheres, e elas olham para a parte traseira dos homens? Sim. Mas são mais discretas porque a visão periférica feminina é superapurada. Assim, não é preciso virar a cabeça. Este fato se justifica também porque, para as mulheres, o corpo não importa muito. É claro que a beleza física chama a atenção. Porém, para elas, os receptores sensoriais estão nos ouvidos. Por isto, elas gostam de palavras doces. Muitas mulheres chegam a fechar os olhos quando o homem que a ama sussurra palavras carinhosas aos seus ouvidos.

Portanto, se o seu namorado, marido ou companheiro está sempre reparando no glúteo das outras, seja franca. Pergunte o que ocorre. Se ele responder que não tem nada demais nisto, não encane. É só um hábito masculino proveniente da falta de visão periférica e do instinto biológico próprio dos homens.

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Para saber mais

de Allan e Barbara Pease
Editora Sextante
(fonte do ensaio)

Uma publicação do Curso de Comunicação Social da UNISC