Aula aberta terá como tema distopia e o futuro da tecnologia em Black Mirror

Já imaginou ter um implante de memória que grava tudo o que você vê e ouve? Ou um aplicativo de relacionamentos que impõe a data de validade da relação? Já imaginou viver dentro de seu jogo de videogame favorito? Ou depender da avaliação de outras pessoas para conseguir comprar uma casa? Todas essas situações se apresentam nos episódios de Black Mirror, série de TV britânica criada por Charlie Brooker que foi ao ar pela primeira vez em 2011. Com episódios independentes, elencos, cenários e até realidades diferentes que se passam num presente alternativo ou futuro distópico, a série discute temas da sociedade moderna e as consequências imprevistas das tecnologias.

No dia 11 de novembro, segunda-feira, a disciplina de Cultura da Mídia dos cursos de Comunicação Social da Unisc realizará uma aula aberta sobre distopia e futuro da tecnologia com a exibição e debate do episódio “Black Museum” da quarta temporada de Black Mirror. Rudinei Kopp, professor dos cursos de Comunicação e autor do livro “Quando o futuro morreu? Mídia e sociedade na literatura distópica de Zamiatin, Huxley, Orwell, Vonnegut e Bradbury” e Carlos Kopp, historiador e mestre em Educação pela Unisc, autor da dissertação “Neoliberalismo, capital pós-humano e educação: reflexos de Black Mirror” são os convidados da aula aberta.

O episódio “Queda Livre” guiou a dissertação de Carlos Kopp. O historiador contou que escolheu o primeiro episódio da terceira temporada da série por se encaixar com as discussões sobre neoliberalismo e os processos de constituição dos sujeitos em sua linha de pesquisa. “Outro fator é que é um episódio bastante popular no imaginário, uma vez que as pessoas costumam se identificar mais com as situações dele do que de outros episódios da série”, completou. O episódio utilizado por Kopp aborda os sistemas de crédito social que já ocorrem em nossa realidade em aplicativos como o Uber: “Podemos avaliar os motoristas e somos avaliados enquanto passageiros, de forma que governamos uns aos outros, produzindo assim o comportamento “adequado” neste serviço”, analisou.

Kopp enxerga um paralelo entre a série e o que vivemos hoje. Ainda que a maioria dos episódios se mostram num futuro próximo, o historiador acredita que apesar da construção futurista e das tecnologias que ainda não utilizamos no presente, a série aborda questões como o neoliberalismo e as relações humanas frente ao desenvolvimento biotecnológico. “Em entrevistas que assisti durante a pesquisa para a minha dissertação ficou perceptível a intenção dos criadores da série em tocar em questões contemporâneas, e não profetizar ou anunciar o futuro”, explicou.

Num contexto geral, Black Mirror se torna famosa por seus episódios impactantes e até mesmo chocantes. Para Kopp, esse impacto se dá em razão tanto da tecnologia que aparece como fora de controle quanto do comportamento humano. Apesar da série utilizar tecnologias diversas que não temos acesso, o foco dos episódios são as relações humanas, fazendo com que nos identifiquemos em diversas situações. “A série funciona como um espelho, uma forma de nos enxergarmos mesmo que de forma exagerada no presente”, observou.

Ficou curioso e quer saber mais sobre o tema? A aula aberta ocorrerá dia 11 de novembro às 9h na sala 5338 do bloco 53 da Unisc. O evento é aberto para toda a comunidade.

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