Unicom: Além do voluntariado

O tema segurança sempre foi um dos assuntos mais discutidos e de suma importância para a sociedade. No caso mais recente, como a queda da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, centenas de Bombeiros Voluntários trabalharam dia e noite por semanas, tentando salvar as pessoas diante do mar de lama e no processo de abrigo para os sobreviventes. Dias depois,  não nos lembramos ou como na maioria das vezes, não somos apresentados a esses heróis que diariamente trabalham na prevenção de tragédias. 

Segundo estudos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), somente 14% dos 5.570 municípios brasileiros têm Bombeiros Militares.  É essa deficiência que torna o trabalho dos Bombeiros Voluntários tão importante, já que atuam, principalmente, em regiões que não têm o mesmo suporte de segurança que as cidades maiores.

 Denaide Machado, 45 anos, estudante de enfermagem, trabalha há três anos como Bombeira Voluntária no Corpo de Bombeiros Voluntários de Butiá (CBVB),  cidade localizada na região carbonífera e distante 78 quilômetros de Porto Alegre. O Corpo de Bombeiros Militares mais próximo da cidade fica em São Jerônimo, distante 40 quilômetros. Ela explica que a decisão em ser bombeira, apesar da admiração pela profissão, foi por coincidência: “Entrei para a corporação de bombeiros voluntários através de uma amiga que estava na equipe e eles faziam trabalhos sociais como gincana, campanha de agasalho, ajudando em enchentes e era uma das coisas que eu também fazia. Então, eu gostei do trabalho deles e acabei entrando para a corporação, apesar de nunca ter vontade em ser bombeira”.

Quando falamos em Bombeiros, provavelmente você logo pensa em combate a incêndios, por exemplo. Mas, na verdade vai muito além disso. “Nosso trabalho solidário no natal, dia das crianças e campanha do agasalho, por exemplo, são projetos sociais que realizamos com a ajuda da população também. E para mim é uma realização imensa, principalmente quando a gente vê a carinha deles feliz”, afirma Denaide. Ela conta que sua participação em trabalhos desse tipo começou bem antes de entrar para a corporação. A rotina de um Bombeiro voluntário depende da estrutura que a corporação possui. Existe o plantão, que ocorre quando os profissionais ficam em prontidão na sede e o chamado “sobreaviso”, que é quando a pessoa fica em casa, mas que a qualquer momento pode ser chamada. O Corpo de Bombeiros Voluntários de Butiá atualmente conta com 20 pessoas com disponibilidades variáveis. Desses vinte, oito trabalham frequentemente. Denaide revela que em virtude da falta de estrutura da atual sede, o local serve basicamente para guardar materiais e equipamentos. “Na verdade lá está servindo como um depósito, porque não tem como fazer nossos plantões em um local tão pequeno”. 

Corporação de Bombeiros voluntários de Butiá.

A nova sede e a participação em um programa de televisão

No dia 03 de junho de 2019, a prefeitura municipal de Butiá oficializou a concessão por dez anos do uso de um terreno de 632 metros quadrados, localizado no centro da cidade, para a instalação e construção da nova sede dos Bombeiros.

    Semanas antes, no dia 18 de maio, foi ao ar o programa Caldeirão do Huck, da TV Globo, em que Denaide e seu colega Adilson Lopes participaram. Ela conta que sequer houve um processo de inscrição por parte da Corporação de Bombeiros.“Ninguém se inscreveu e nem tivemos a ideia. Foi a própria produção do programa que entrou em contato conosco, acho que por conhecimento do nosso trabalho em algum site ou por um médico da SAMU de São Paulo que divulgou bastante nossa equipe e que veio dar treinamento para nós. A produção não revelou  como foi que nos encontraram”. O contato da produção com Denaide e o Corpo de Bombeiros foi através de uma ligação, com a notícia de que estavam fazendo uma seleção e a procura de projetos solidários e que iriam realizar um teste com a equipe. “No início não levamos a sério, pensamos que fosse trote”, afirma. 

Após alguns dias, o presidente da corporação foi investigar e confirmou a veracidade da informação. Dois dias depois, Denaide foi contatada que iria participar da seleção, sem qualquer certeza de que iria passar. “Nesse período tivemos que fazer um vídeo de três minutos junto com meu colega e contar a história do CBVB e mandamos para eles”, explica. 

Uma semana depois, Denaide recebeu a ligação de que ela e o CBVB de Butiá iriam participar do programa. “Foi uma surpresa, fiquei em estado de choque e nem acreditei. Dali, já comuniquei nosso comandante e em algumas semanas vieram aqui na nossa cidade”, ressalta. A gravação, que foi ao ar no dia 18 de junho, foi feita entre setembro e outubro do ano passado. A dupla de Bombeiros Voluntários recebeu 232 mil reais no prêmio do programa para investir na infraestrutura e equipamentos para o CBVB.

Denaide conta que a vontade de estudar enfermagem veio da atividade como Bombeira. “Comecei a gostar de auxiliar as pessoas, de ser socorrista e então escolhi enfermagem. Sempre soube que isso iria me ajudar bem mais no meu trabalho voluntário de Bombeira. Pretendo me formar no final do ano que vem e seguir além da atividade voluntária, na área de enfermagem”, enfatiza.

Denaide (ao centro) com seus colegas.

Texto: Kelvin Azzi

Fotos: Arquivo pessoal

Arte: Larissa de Oliveira


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