“A gente tenta passar também esse lado mais comum da vida de um adolescente” explica diretor do curta-metragem do concurso “Minha história dá um filme”

Já está em produção o curta-metragem fruto da segunda edição do concurso “Minha história dá um filme”, realizado conjuntamente entre a Secretaria Municipal de Educação (SEE) e a A4 Agência Experimental de Comunicação Social da Unisc. Com a temática “Histórias de vida: memórias do lugar onde eu vivo”, a produção textual vencedora do concurso foi do aluno da escola EMEF Duque de Caxias, Eduardo Flores, de 15 anos. O coordenador do curso de Produção em Mídia Audiovisual na A4 Agência Experimental da Comunicação, Diego Weigelt, explica que o texto de Eduardo trabalha um tema difícil de ser exteriorizado, o autismo. “Conta o dia a dia dele, as vivências em casa, na escola, no bairro. As alegrias e as dificuldades. O que mais me encantou no texto do Eduardo foi a mensagem que independente de quem somos todos buscamos a mesma coisa: felicidade. Cada um do seu jeito e com suas limitações”.

O aluno do curso de Produção em Mídia Audiovisual da Unisc e diretor do curta-metragem, Bruno Corralo Granata, ressalta o desafio em criar uma narrativa em cima do material inicial. “O texto do Eduardo não era exatamente uma história que se pudesse transformar em um curta-metragem, pois, era, principalmente, baseado em informações sobre ele, sua vida e o que ele gosta. Então, realizamos uma entrevista com a mãe do Eduardo e ela nos trouxe mais informações sobre um episódio da vida dele, e tendo isso como guia conseguimos acrescentar outros dados e representá-lo no curta.”

Cena no consultório da psicologa. Foto/ Divulgação

Segundo Bruno, o que chamou a atenção na história de Eduardo foram as situações inusitadas e particulares, como o hábito de pegar as roupas do pai e as impressões de seu personagem favorito Josh, do seriado “Drake e Josh”, adaptado para o Homem-Aranha no curta pela facilidade de reconhecimento do público. Além disso, o diretor quer representar no curta-metragem a aproximação de Eduardo com outros adolescentes que não têm autismo. “Em vários momentos ele é um adolescente como qualquer outro, que vai ter conflitos com os irmãos e com a mãe. A gente tenta passar também esse lado mais comum da vida de um adolescente.”

A professora de teatro e intérprete da mãe de Eduardo, Rafaela Aline Wenzel, comenta que é uma emoção poder entrar em uma história real. “O que me chamou a atenção foi saber que a iniciativa partiu do próprio Eduardo, pois lendo o roteiro imaginava que a mãe tivesse escrito a história para contar o desafio envolvendo toda a família, porque ter filhos sempre envolve atenção e estar presente, ainda mais no mundo contemporâneo. O mundo carece da presença dos pais, dos professores, de estar presente nas vidas que estão se iniciando. Então, foi um olhar crítico positivo de perceber que o próprio Eduardo estava querendo mostrar a história e o olhar dele sobre a vida.”

Rafaela interpreta Ane no curta-metragem / Créditos: Matheus H. Andrade

O curta-metragem produzido a partir da história de Eduardo será exibido na noite de abertura da segunda edição do Festival de Cinema de Santa Cruz do. Mais informações sobre o Festival acesse o link: http://festivalsantacruzdecinema.com.br/

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