Escritores de Caxias do Sul participam da 31ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul

Há quatro anos no mercado, a Editora Vírtua, de Caxias do Sul (RS), participa pela primeira vez da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Na 31ª edição do evento, a editora terá lançamentos e seções de autógrafos de três livros de autores da marca e participará de eventos na cidade.
No dia 1º de setembro, às 14h, acontece o lançamento e sessão de autógrafos do livro “Ella”, de Leandro Angonese (Editora Vírtua, 88 páginas, R$ 15). Com poesias em tom intimista, este é o nono livro do autor, que é vice-presidente da academia caxiense de letras, e traz poemas que exaltam a beleza da mulher e do amor que ela pode gerar.
No mesmo dia, às 15h30, no Caffés Brandelero, com vista panorâmica para a
feira, acontece um encontro entre escritores de Caxias e de Santa Cruz. Integrando as ações do 4º Encontro de Diálogos Vírtua, evento promovido pela editora, a iniciativa visa a promover a troca de experiências e conhecimento entre os participantes. De Caxias do Sul, são esperados os escritores Leandro Angonese, Claudia Hackbart, Gisela Cardoso e Jussára C Gosinho, vencedora do Prêmio Lila Ripoll de poesia 2018. Também deve participar a escritora Voní T. Loposzinski, de Estrela (RS). Representando a literatura santa-cruzense, estarão presentes nomes como Edison Botelho, Angelita Borges, Valquíria Ayres Garcia, Bruno Ledur e Ligia Hertzer.
Já no dia 2, às 14h, é a vez do cartunista e escritor André Fortunato apresentar
ao público seu novo livro em quadrinhos, “O grande vazio” (Editora Vírtua, 24 páginas, R$ 7). Com uma mensagem que valoriza os valores cristãos, a história enfatiza a necessidade de vivermos uma vida mais espiritualizada para lidar com a competitividade do mundo atual. À noite, o livro será apresentado também na Igreja Batista Pioneira de Santa Cruz do Sul.
Fechando a programação de lançamentos da editora na feira, no dia 9 de setembro, às 14h, Vanderlei Francisco Silva apresenta ao público e autografa seu quarto livro, “A república dos inocentes” (Editora Vírtua, 200 páginas, R$ 35). Polêmico e encaixado no momento histórico que vivemos, o livro fala sobre os bastidores da corrupção e dos jogos de interesses nos meios esportivo e político, entrando também em assuntos como fanatismo religioso, sistema carcerário e manipulação ideológica.

Texto de Rafael Augusto Machado

Cadica lança “Força da Terra”

Cadica tem a missão de transmitir as pessoas algo que mexa, transforme, emocione, inspire, faça refletir e mudar para melhor…Coreógrafa, bailarina e diretora da escola Cadica Danças e Ritmos, graduada em Publicidade e Propaganda pela UNISINOS e Pós-graduada em Dança pela PUC. Nestes 25 Anos sua Cia de dança, já viajou por vários países como Espanha, Coréia do Sul, Portugal, China, Rússia, Chile, Uruguai e Turquia representando a cultura Brasileira. Autora de dois livros: A Carreira e a Vida de Renato Borghetti, em 1993 e doBaile Flamenco, Identidade Gaúcha, em 2011. Na área de desenvolvimento Humano, tem Formações em: Trainer e  Coaching em PNL, Coaching Integrativo Sistêmico e Renascimento. Criadora do método danSERcoach, do processo de Coaching “Desabrochar Feminino”e do  workshop “Transfordance”.

O lançamento do livro de  “Força da Terra” de Cláudia Pereira da Costa será neste sábado, às 16h.

 

Revista DaFeira – “A indignação é um motor fundamental para fazer humor”, diz Santiago

Esta publicação abre a série de reportagens produzidas para a Revista DaFeira, elaborada pelos alunos e professores do Curso de Comunicação Social da Unisc para a 31ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Acompanhando a temática da Feira – “Ler é uma aventura”, com foco em quadrinhos -, a proposta do material é ser atrativo, leve e instigar a leitura em diferentes públicos. Acompanhe a série de publicações online e, assim como nos quadrinhos, se deixe levar pela aventura da leitura!


ENTREVISTA COM O PATRONO. Com senso crítico, o cartunista, chargista e quadrinista falou sobre a carreira e demonstrou preocupação com as profissões.

Patrono da 31ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, Neltair Rebés Abreu, o Santiago.

“Sempre achei que o desenho teria que ser a minha saída”. É com esta frase que o Patrono da 31ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul traduz a escolha pela profissão de cartunista, chargista e quadrinista. Embora se defina apenas como desenhista de humor, Neltair Rebés Abreu, o Santiago, acumula causos e histórias que geraram inúmeros trabalhos em diversos formatos. Todas as produções contribuíram – e continuam acrescentando – para que a generosa trajetória fosse feita à mão. O menino de apenas 8 anos que rascunhava alguns traços com base em revistinhas da Disney durante a infância, hoje, aos 67, carrega o nome da cidade de origem e uma premiada bagagem, estruturada com olhar aguçado, criatividade e autenticidade.

Ainda que a história profissional de Santiago tenha sido sempre direcionada às ilustrações, o quadrinista se aproximou muito de duas áreas: Arquitetura e Artes Plásticas. A incerteza de conseguir viver de quadrinhos fez com que Abreu ingressasse no curso em uma universidade de Porto Alegre. “Eu comecei a imaginar, depois de adulto, que quadrinhos, cartum, não seria possível viver disso. Aí fui para Arquitetura”, relata. Em seguida, começou a propagar suas obras em jornais e percebeu que poderia se sustentar com o desenho, quando acabou abandonando a primeira chance de formação. Já a segunda matrícula, em Artes Plásticas, foi iniciada depois do profissional já possuir publicações em jornais, e hoje a desistência é recordada com lamento. “Foi um arrependimento grande. Devia ter cursado Artes Plásticas até o fim”. Apesar disso, Santiago possui propriedade e competência inquestionáveis que o permitem afirmar com tranquilidade: “Eu sou autodidata. Me autoformei em desenho.”

A opção de fazer carreira como desenhista foi esboçada por afinidade e talento, mas foi o reconhecimento que impulsionou Santiago a seguir no caminho da literatura de elementos visuais, depois de abandonar os cursos na Capital Gaúcha. “Quando comecei a trabalhar na Folha da Tarde e ganhei um prêmio importante no Japão, eu senti segurança e pensei que aquilo ali poderia ser realmente uma profissão”, descreve. Mesmo premiado internacionalmente, o desenhista continuou com dúvidas sobre futuro, sentindo a necessidade de mais afirmações para ter certeza de que não precisaria buscar outras ocupações. “Depois ganhei outros prêmios internacionais, como no salão do Japão, Canadá, Alemanha e Turquia. E aí realmente eu me senti seguro”, aponta.

Apesar de ter construído uma carreira sólida e acreditar no potencial para o surgimento de novos talentos, Abreu revela que o contexto mudou, e o cenário para os profissionais de desenho não é dos melhores. “Hoje eu estou vendo já com grande preocupação a nossa profissão de desenhista de humor, porque o que nos sustentava eram jornais, revistas e livros. E desses aí só o que está restando hoje é livro”, destaca. Com amor pelos quadrinhos, o experiente ilustrador demonstra que a aventura na vida real pode ser preocupante. “Do ponto de vista profissional, se eu estivesse começando hoje eu estaria muito em dúvida sobre como ganhar a vida. Não estou vendo uma janela profissional”, e aproxima a atualidade com épocas passadas. “Até a minha idade de 60 e aposentadoria pelo INSS, eu consegui viver de desenho, mas eu não estou vendo como que a nova geração vai conseguir viver de desenho como eu sobrevivi”, evidencia.

Ao relembrar os passos iniciais e desafios enfrentados, Abreu expõe ideias fortes sobre a atualidade e profissão, principalmente sobre novas tecnologias. “Eu vejo a internet, o Facebook, nos explorando, essa ferramenta explora o trabalho das pessoas criativas. É uma denúncia que eu faço”. Outro ponto que incomoda o desenhista é a falta de monetização das produções que são publicados na rede.“Para mim, na minha profissão e na minha carreira, eu considero uma involução voltar a fazer desenhos gratuitamente na internet como um amador” e completa questionando “é ótimo consumir as coisas de graça, mas o artista vai viver do quê?”.

O que significa para Santiago ser escolhido o Patrono da 31ª Feira do Livro?

“Eu tento não ser movido pela vaidade pessoal. Essas coisas assim podem esticar muito a vaidade pessoal, e quero sempre que isso seja visto como uma valorização para nossa profissão. Da nossa arte, mais do que da profissão. Se a nossa arte é valorizada a ponto de a gente ser homenageado em Feira do Livro, é porque conseguimos um grande progresso em relação a isso. E é a batalha que eu faço para que a gente entre no conteúdo da literatura, com a nossa forma de comunicação, que é o quadrinho, o humor. Que é literatura junto com elementos visuais. Comunicação Visual e Literária. Eu fico feliz que mais do que essa homenagem pessoal a mim, é uma homenagem a nossa profissão.”


Em algumas produções de antigos humoristas, ou mesmo de novos que se aventuram no campo da comédia, não é difícil encontrar materiais preconceituosos ou mesmo discriminatórios. Para o renomado desenhista de humor no país, Santiago, o objeto de trabalho de um profissional quadrinista é a crítica aos opressores, sejam pessoas ou sistemas. “Não é mais tempo de as pessoas debocharem do negro, do deficiente físico, do homossexual, da mulher de forma machista. Acho que isso já não cabe mais.” O Patrono ainda transparece que os profissionais que trabalham com foco em uma sociedade igualitária acabam “se impulsionando pela esperança que haja consequências daquilo que a gente faz, que a gente mude alguma coisa. Então a gente acha que vai ter efeito criticando a hipocrisia”


“A indignação é um motor fundamental para fazer humor, principalmente humor político”. Amante da MPB, ao longo de toda a entrevista o Patrono fez questão de citar temas que, segundo ele, merecem ser combatidos; como o crescimento da direita, do fascismo, do nazismo e preconceitos de modo geral. Para o desenhista, o humor seria a melhor ferramenta possível para interromper um retrocesso de opiniões vivido no país. Pode-se dizer que com suas convicções e todo o seu talento, Neltair Rebés Abreu, o Santiago, almeja, adaptando o som ‘Nu com a minha música’, de Caetano Veloso, cores fortes e traços claros pro meu Brasil, apesar da dor.

Texto: Fernando Uhlmann

31ª Feira do Livro de Santa Cruz já tem patrono e homenageado

A Comissão Organizadora da 31ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul já anunciou o patrono desta edição do evento: o cartunista, chargista e ilustrador Santiago. Já o escritor homenageado é Paulo Louzada, e o tema da feira deste ano é “Ler é uma aventura”.

O evento ocorrerá entre 31 de agosto e 9 de setembro, na Praça Getúlio Vargas. O lançamento oficial vai acontecer no dia 16 de agosto. Esta é uma realização do Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Sul (Sesc), Município de Santa Cruz do Sul e Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

Quem são eles

Santiago: Neltair Rebés Abreu, o Santiago, é cartunista, chargista e ilustrador. Trabalhou como desenhista técnico na indústria em Porto Alegre nos anos 70. Entrou na Faculdade de Arquitetura, onde ganhou o apelido de “Santiago”, que terminou adotando como pseudônimo nos jornais estudantis para fugir da censura política vigente naqueles anos. Publicou pela primeira vez no suplemento humorístico O Quadrão, do jornal Folha da Manhã. Começou a trabalhar profissionalmente na Folha da Tarde, onde fez por nove anos a charge editorial do jornal, até o fechamento. Colaborou ainda para o Correio do Povo, Coojornal, Pasquim e para O Estado de S. Paulo. É autor de seis livros.

 

Paulo Louzada: O cartunista gaúcho é o criador das tiras em quadrinhos do famoso personagem “Tapejara – o último guasca”, publicadas em diversos jornais, como Gazeta do Sul, Diário Gaúcho e Diário de Santa Maria.

 

Texto: Kimberly Lessing
Foto: Cartunista Santiago/Reprodução/Facebook
Imagens: Divulgação
Fonte: Portal Arauto