Comunicadores devem adaptar-se à era digital

“Este é o pior e o melhor momento para se trabalhar com comunicação e marketing”. Com esta frase Márcio Callage, presidente da DM9Sul, uma das agências de publicidade e propaganda mais conceituadas do país, deu início à penúltima noite de palestras da 19ª Semana Acadêmica do Curso de Comunicação Social (Seacom) da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Callage participou do evento na noite de quinta-feira, 22, no Anfiteatro do bloco 18.

Filho do diretor de criação e sócio da DCS Comunicação, o porto-alegrense cresceu dentro do universo da propaganda. Admirador do trabalho pai, Callage ressaltou que nunca teve dúvidas sobre a profissão que iria seguir. Aos 18 anos, ingressou no curso de Publicidade e Propaganda na Pontifíca Universidade do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e logo na primeira semana começou a trabalhar na área.

Com 25 anos, já formado, em 2005, recebeu a proposta de ser gerente de marketing da Olympikus. Movido por um instinto empreendedor, em 2007, Callage e mais dois amigos resolverem montar a Perestroika Criative School, uma escola que promete diferentes cursos na área de criação. Em setembro de 2011, Callege tornou-se sócio e presidente da DMSul, ligada à DM9DDB de São Paulo e ao grupo ABC, maior grupo de comunicação do Brasil.

Segundo o profissional, houve um tempo em que publicitário trabalhava apenas em agência, jornalista em redação, relações públicas em eventos, entre outros, mas hoje esta prática é limitadora. “Dentro da DM9, por exemplo, temos publicitários, diagramadores, jornalistas, designers, arquitetos, administradores. Há uma grande mistura, e este caldo dá a possibilidade de entregarmos algo que consideramos que é o trabalho da Comunicação Contemporânea”, avalia.

Novo perfil – As agências de publicidade, segundo Callage, são as mesmas desde 1950. Em razão disso, considera que não adianta ter pessoas novas, com conhecimento se o pensamento da empresa for quadrado. “Se o modelo for o mesmo sempre, será sempre a propaganda convencional”, analisou. Callage observa que o modelo antigo, comum, de fazer publicidade é um mero preencher de espaços, seja os de 30” em rádio ou uma página no jornal – o que limita a criatividade. A ideia hoje, conforme ele, é fazer uma propaganda que envolva o outro, que tenha conteúdo e não apenas informe algo. “As pessoas não dão bola para propagandas, elas não gostam, por isso tem que ser fazer algo a mais”, destacou.

O publicitário frisou que de qualquer lugar é possível fazer coisas legais, basta querer. “A Perestroika, por exemplo, gastou apenas R$ 70 para se lançar.” Além disso, frisou que o tempo atual é o da revolução digital e que isso precisa ser compreendido pelos profissionais. “Temos de entender a linguagem do tempo, e hoje estamos vivendo a revolução digital.” Em razão disso, considera que para se fazer uma boa publicidade é necessário, antes de tudo, estar ligado ao que acontece ao redor, ter em mente qual o problema, qual o público, qual a coisa mais importante e, ainda, pensar: “por que isso é verdade?”. O publicitário frisou que, hoje, não basta ter audiência, mas, sim, qualidade.

Para encerrar, além de abrir espaço às questões da plateia – que manteve o Anfiteatro lotado até as 22h – Callage ressaltou que tem consciência de que sua agência nem sempre tem condições de pagar o que o mercado em São Paulo (SP) paga. No entanto, acredita que a DM9 é formadora de pessoas. “Posso contratar alguém que não tenha experiência, mas que tenha vontade de trabalhar, assim eu posso moldá-lo e depois este alguém pode ir para SP e ganhar mais de R$ 20 mil.”, exemplificou. Por fim, ainda citou que a sua agência é uma das únicas que possui uma diretora de Relações Humanas (RH) que se preocupa individualmente com os colaboradores.

Márcio Callage é presidente da DM9Sul, uma das agências de publicidade mais conceituadas do Brasil

Márcio Callage é presidente da DM9Sul, uma das agências de publicidade mais conceituadas do Brasil – crédito foto: Eduardo Foletto Finkler

crédito: Eduardo Finkler

“As pessoas não dão bola para propagandas, elas não gostam, por isso tem que ser fazer algo a mais”, disse à plateia – crédito foto: Eduardo Foletto Finkler

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